JARDIM VERTICAL

Um pouco sobre a história dos Jardins Verticais.

No final da década de 1980, o paisagista brasileiro, Burle Marx, já criava Paredes Verdes, ou seja, Jardins Verticais. O seu gosto pelo uso de plantas nativas brasileiras e o uso de desenhos orgânicos são características fortes do seu trabalho.

Patrick Blanc, um botânico francês, fez a primeira patente dos Jardins Verticais, em 1989.  Desenvolveu estudos sobre plantas de florestas tropicais e foca seu trabalho em desenvolver projetos com Le Mur Végétal que podem ser instalados em qualquer tipo de parede e ambiente. Pelo seu trabalho é considerado o inventor do conceito de Jardim Vertical, integrando a arquitetura e a paisagem.

Talita Gutierrez, arquiteta e paisagista brasileira, dedicou alguns anos a pesquisa em Botânica e Ecossistemas. E por volta do ano 2000, desenvolveu um sistema inovador de Jardim Vertical conhecido como “Quadros Vivos” e “Painéis Vivos”, para o interior e exterior. (http://www.quadrovivo.com/)

Luc Schuiten, é um arquiteto visionário, com um pensamento ecológico, preocupado com o futuro do planeta e sobre as condições de vida das gerações futuras. A sua maneira de pensar que deu origem a uma nova arquitetura, baseada em uma visão poética, onde a invenção e a relação com a natureza ocupam um lugar predominante.

FUNÇÕES DO JARDIM VERTICAL:
– Inserir / Integrar na paisagem;
– Proteger a parede das variações térmicas altas, influenciando também a temperatura no interior, conforme o seu tamanho;
– Efeito estético e visual.

Ps: As hortas feitas com garrafas pet, devem receber algum cuidado pois com o tempo ocorre a degradação do plástico e pode passar alguma toxina para o substrato.

A importância dos Jardins Verticais nas cidades:
– Produção de O2 e consumo de CO2; *
– Possibilita a minimização do consumo energético; *
– Conforto térmico; * **
– Potenciam a Biodiversidade; ***
– Sensação e bem-estar e Saúde mental;
– Purifica o ar (retém poeiras);
– Protegem contra os raios solares;
– Melhoram o conforto térmico e acústico;
– Diminui o efeito de ilha de calor

* As plantas mais jovens consomem mais CO2 e liberam mais O2 e vapor de água, que ajuda a manter a frescura no meio envolvente, consequente regula a temperatura

* * O próprio sistema de rega ajuda a diminuir a temperatura. E também protege o edifício, ao amenizar as ações de variações de temperatura. O que também ajuda a diminuir os gastos com a manutenção.

*** O jardim favorece a instalação e proliferação de um grande número de espécies da nossa fauna, nomeadamente aves, insetos e borboletas.

**** A biodiversidade é fundamental para nossa vida, tudo é resultado da biodiversidade. Quando perdemos uma espécie da nossa fauna, perdemos muito mais a isso, porque todas as espécies estão ligadas inclusive o homem.

SOBRE A CONSTRUÇÃO DOS JARDINS VERTICAIS INTERIOR / EXTERIOR

Principais diferenças:
– O Jardim de Interior, exige uma lâmpada de crescimento e floração, que deve ficar ligada num tempo igual as horas do dia. Se ficar sempre ligada as plantas não descansam, e diminuem o seu tempo de vida.

Cuidados:

– Isolamento da parede onde o jardim será instalado;*

– Tipos de plantas; (adequadas ao local interior /exterior, sombra/pleno sol, etc.)

– Águas residuais; (sistema de escoamento da água da rega)

– Futuras manutenções;

*Não convém que essa parede seja de Pladur.

MANUTENÇÃO DOS JARDINS

Umas 4 vezes ao ano é o ideal para as manutenções. Verificar a rega, a adubação, fazer podas, na altura da mudança das estações.

1. PODA:

– Não se poda as plantas no inverno;

– Deve-se fazer a manutenção da parte superior para a inferior;

– Retirar as folhas velhas;
* A poda evita as plantas mais fortes se sobreporem as mais fracas.

2. RETANCHA
– Caso seja necessário, substituir as plantas que morreram.

3. FERTILIZAÇÃO
– De 2 a 4 vezes ao ano, principalmente no arrebentar e no cair das folhas.

4. ADUBACAO
– Pela água ou pelas folhas;

*As adubações folheares as plantas reagem mais rápido. Adubos líquidos ou para diluir em água, com macronutriente de NPK e micronutrientes.

5.PROBLEMAS FITOSANITARIOS

Principais causas:

– O arejamento ou o sombriamente desmedido, pode resultar no enfraquecimento das plantas e por conseguinte o enfraquecimento das plantas;
– Excesso de água;

– Má drenagem;

– Falta de nutrientes;

– Insetos.

– Normalmente as pragas aparecem por crescimento excessivo e solo ácido.

Principais doenças:

* Sobre o combate as Colchonilhas: http://bit.ly/17Vv1uR

Sobre o combate aos Pulgões: http://bit.ly/11WBq4H

Sobre o combate as Moscas brancas: http://bit.ly/11Mawcq

Outras informações relativas ao combate das pragas: http://bit.ly/1bRs3Vp

PREPARAÇÃO DO PROJETO

1. SELEÇÃO DE PLANTAS:
– É importante conhecer as plantas e seu comportamento de crescimento; se não fizer a escolha correta, elas podem não se desenvolver, ou até mesmo morrer;

– Não escolher as plantas lenhosas;

– Colocar as que gostam mais de água, colocar na parte inferior do jardim.

– Tomar atenção ao tamanho das plantas quando adultas.
– Agrupas as espécies com necessidades semelhantes.
– Nem todas plantas adaptam-se ao vertical! Tudo depende do tamanho da planta e do hábito de crescimento.

* Algumas plantas têm o fototropismo negativo, q fogem da luz

A selecção das plantas depende de diversos factores:
– Local: interior/exterior
– Exposição solar/orientação solar (fachada a Sul, mais sol)
– Clima predominante

– O ideal é ter no mesmo jardim alguma variedade de plantas (trepadeiras, plantas de cair, plantas de crescimento vertical, com florações em épocas diferentes durante o ano, etc., assim o jardim será mais dinâmico)

* As plantas muito grandes têm maior dificuldade de adaptação, assim como as muito pequeninas. O ideal é de vaso 10/11.

* Lembrar que o jardim pode pesar, encharcado, entre 50 a 150kg m², conforme o substrato.

Sugestões de plantas:

Para ajudar na escolha das plantas:

http://www.cultivando.com.br/consulta_plantas.html

2. SISTEMA DE REGA
– Pode ser localizada, ou gota a gota, etc.;
– É constituído por um programador, filtro e bomba;

– O Sistema de rega é constituído por electroválvula, programador, válvula de corte, fertilizador, micros aspersores, redutor de pressão (que já tem um filtro), tubo de rega (16), ou tubo poroso* e acessórios de ligação, caso necessário.

* Tubo poroso, para plantas com menor necessidade hídrica e quando a rede tem uma grande pressão de água. Os mini aspersores são melhores para plantas que precisam de mais água e quando o sistema de rega utiliza o redutor de pressão, pois com muita pressão ele pula!

** Espaçamento da tubagem da rega, no painel, em altura, de cima para baixo, 1º no topo, o 2º a 80 cm, o 3º a 1m, o 4º a 1,2 m e assim sucessivamente. O último a 1,5m do chão.

*** Não utilizar adubo a base de algas… Pois com o tempo faz um cheiro ruim!

**** Pode ser feito um tratamento preventivo de pragas e doenças, um fungicida e um insecticida na água da rega.

TEMPO DE REGA
Outono e primavera: 3min, por dia,
Inverno: 3 min de 2 em 2 dias
Verão: 1 min 2x /dia

* Também pode associar um sistema de vaporização sobre as folhas.
* SISTEMA DE RECOLHA DE AGUAS: Uma caixa pousada  no chão para recolher a água da rega que cai do jardim. O sistema também pode ser fechado, com uma bomba. Neste caso, a caixa tem a ser mais alta, e assim há reutilização de água.

3. INSTALAÇÃO
Inicialmente exige uma recolha de dados (medidas, altura, qual espaço terá a estrutura, tipo de parede, ponto de água, ponto de luz, etc.). Depois de saber as características do local, faz-se as escolhas das plantas e um layout para o jardim.

* Colocar as plantas de cima para baixo;
** Toda planta precisa de tempo para o crescimento e o enraizamento, neste período elas não crescem.

4. ILUMINAÇÃO:

É importante ter atenção ao foco de luz, ele deve estar orientado directamente para a parte de baixo do jardim vertical, para que tenha o varrimento uniforme. Localiza-lo, a uma distância mínima de 50 cm. E de preferência utilizar um projetor direccionável.

* Mesmo com lâmpadas especiais, não é muito fácil a floração dentro dos edifícios.
** A iluminação ideal é caracterizada por pontos de luz colocados na parte superior e inferior, pois as plantas que ficam mais perto da luz, se desenvolvem mais. Caso só haja pontos de luz na parte de cima, as plantas de baixo, devem ser, de preferência, das que não precisem de muita luz, plantas de dia curto, por exemplo. Para cada 3m², uma lâmpada. Lembrando que a luz artificial não substitui a luz do sol, mas minimiza os efeitos da sua ausência.

Espectro de luz:
Azul: energia para fotossintese
Amarelo: produção de clorofila
Vermelho: favorece a floração

Tipos de lâmpada:
– Grolux Philips;
– son-pia agro Philips;
– leds para plantas azul e vermelho;
– Lâmpadas de alta-pressão;
– Iodetos metálicos.
*Entre 30/50 watts por m²

COMPOSIÇÃO DO JARDIM VERTICAL:
1. Estrutura metálica, de fixação na parede, de, com uns 4/5 cm para poder passar o tubo para a rega. Exige uma estrutura de suporte (ferro galvanizado,  aço inoxidável ou madeira). Conforme a altura e largura, os perfis utilizados deverão ser  de 2x2x2cm ou 3x3x3cm.

2. Placa de PVC, que varia sua espessura de acordo com o tamanho do  Jardim Vertical.

3. Telas absorventes param o suporte das plantas com a composição aproximada de 40% sintética e 60% orgânica. E telas para o resguardo da terra das plantas, que deve ser 100% sintética, no caso de um painel com sistema de bolsas.

4. Sistema de rega.

5. Depósito de água. E importante limpar regulamente o depósito de água.

CUIDADOS ESPECIAIS PARA OS PAINEIS EXTERIORES:
1. Exposição solar / orientação solar (a norte e a poente, mais regas)
2. Vento (O vento encanado, seca as plantas, portanto exige mais regas)
3. Enquadramento paisagístico

As principais empresas especializadas em Jardins Verticais, em Portugal, são:

www.monteiroricou.blogspot.com (Porto)

http://www.clorofilatotal.com/ (Penacova)

Informações retiradas de:

– Curso de Jardim Vertical no CEARTE Coimbra, com os formadores D. Isabel Cisneiros e Eng. Diogo Ricou.

– http://www.mraggett.co.uk

– http://www.verticalgardenpatrickblanc.com/

Advertisements