“Arquitetura dos Sapos ”

A Dissertação de Mestrado elaborada por mim, com o tema: “Ecossistemas Urbanos: A Sustentabilidade Além da Teoria, Caso de Estudo Projeto Alytes, Coimbra”. Orientada pela Professora Doutora Arquiteta Celine Veríssimo. Caracterizada por um trabalho de investigação, sobre Ecologia Urbana, com base no Caso de Estudo, Projecto Alytes, Coimbra, que exemplifica uma compatibilização das obras de recuperação do campo de futebol Santa Cruz, com uma população de sapos-parteiros, numa zona densificada da cidade de Coimbra. Também teve base numa revisão literária sobre Desenvolvimento Sustentável.

Aqui, não vou aprofundar-me muito sobre os estudos relativos a Sustentabilidade e seu desenvolvimento. Mas sim, relatar o processo de compatibilização, que ocorreu de forma espontânea. A partir do momento que a remodelação do campo de Santa Cruz, foi conhecida pelos biólogos, criou-se uma estratégia para salvaguardar a conservação dos sapos, junto ao campo.

O projeto Alytes, foi o principal motivo para a preservação, no local, da população dos sapos-parteiros. Foi lançado tendo em vista a conservação ambiental, para um projeto de Ecologia Urbana. Através de um trabalho académico para a Universidade de Coimbra, executado por dois biólogos, José Miguel de Oliveira e a Doutora Maria José Castro. A sua importância está na particularidade destes sapos, que além de estarem em extinção, são difíceis de encontrar na natureza. Esse projeto ganhou o Prémio Nacional do Ambiente e Conservação e Primeiro Prémio na Categoria Ambiente Natural, pela Ford Motor Company, em 2002.

Para entender melhor melhor a importância e o sucesso dessa compatibilização, também é necessário alguns conhecimentos sobre os sapos.

Os sapos-parteiros (Alytes obstetricans) são anfíbios,ou seja, sua sobrevivência depende da água e de lugares húmidos. Estes sapos apresentam um tamanho pequeno (cerca de 5 cm) e a sua principal particularidade, que inclusive dá o nome a espécie, é que os machos carregam os ovos junto ao corpo, até estarem prontos para eclodir, por isso, parteiros (Projecto Alytes, 2002).

Agora, algumas características específicas do campo, que favoreceram a presença dos sapos no local: seus muros circundantes em pedra, que promove locais húmidos e protegidos do sol, e a presença de nascentes de água, junto ao próprio. Depois de 80 anos de utilização, ganhou o projeto arquitetónico para a  remodelação, dos arquitetos José Cabral Dias e Luis Miguel Correia.

Para melhor explicar esta obra, foi retirada a memória descritiva publicada do site: http://www.habitarportugal.org/ficha.htm?id=19, (08.05.2012). Neste texto explica resumidamente a ideia inicial do projeto e as alterações ocorridas no próprio.

” O campo de Sta. Cruz (1º quartel do séc. XX) é expressão física de memórias coletivas da cidade e do clube. O antigo edifício de balneário (A), simboliza-as e é habitado com um uso que o torna público. Ai ficará a cafetaria. Um novo edifício (B) organiza a chegada, dá sentido e escala ao edificado. A estrutura-se, e ao espaço, segundo o programa: 1º e 2º pisos, balneários; 3º rouparia, central térmica, posto clínico e nova casa do Sr. Freixo – aberta para o campo, em homenagem a entrega, de décadas, ao clube e aos atletas. No exterior, o túnel de madeira é um corredor simbólico de ligação entre os diversos pisos; a (re) ligação ao Jardim da Sereia cruza-se com a cidade; a essencialidade é a resposta às limitações orçamentais e ao intenso uso adivinhado. Com a obra a iniciar-se, os biólogos descobrem a rara colónia de sapos e o projeto altera-se: surgem as minas – Norte e a Sul do edifício B – e a vala – periferia do campo. No final, a arquitetura cumpriu-se e os sapos multiplicaram-se.”

Quem quiser ter acesso a esta dissertação na sua totalidade, há exemplares na biblioteca da EUVG, Coimbra e na Biblioteca Municipal de Coimbra, ou entre em contacto comigo.

dissertacao de mestrado.Flávia Lima

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