Mobiliário de Oscar Niemeyer

Assim que abri esta Módulo, surgiu a imagem de uma cadeira desenhada pelo arquiteto Oscar Niemeyer e sua filha, a designer Anna -maria Niemeyer.

E hoje, como estaram as cadeiras de Niemeyer?

Exatamente sobre esta cadeira, não achei nada! Acho que não fez tanto sucesso quanto as outras…

Encontrei uma publicação da Revista Brasileira AU, de 1995, onde falava um pouco sobre a história dos mobiliários de Niemeyer, onde dizia que a essa nova façanha havia se iniciado em 1971. Quando o  arquiteto sentiu a necessidade de criar mobiliários para atender uma falha, e dizia:  “O problema que encontrei no equipamento dos edifícios é que, muitas vezes, o mobiliário, o arranjo interno, prejudica completamente a arquitetura”, diz o arquiteto no livro Móvel moderno no Brasil, de Maria Cecilia Loschiavo dos Santos, ao explicar o porquê do interesse em projetar mobiliário. E considera-os parte fundamental da composição arquitetônica.

E ainda acrescenta: “Todos os móveis estão presos ao princípio de que são complemento da arquitetura e devem ser atualizados e modernos como a própria arquitetura”.

De acordo com o arquiteto e pesquisador Júlio Katinsky, Niemeyer fez parte de um grupo de arquitetos pioneiros na prática do design de móveis no Brasil, cujo trabalho foi importante para “a animação do movimento de modernização do móvel e para a introdução do desenho industrial no País”.

A maioria das peças de mobiliários que Niemeyer criou, fez em parceira com sua filha, Anna Maria Niemeyer.

O primeiro protótipo da poltrona alta com banqueta, primeira peça idealizada por eles,  tinha sua estrutura feita de lâminas de aço e ângulos retos. E penso que seja a da primeira imagem desta página, da revista Módulo.

As primeiras experiências do arquiteto na área de mobiliários foram inicialmente mais conhecidas na Europa. Pois tiveram que ser fabricadas lá, devido a tecnologia exigida para a execução.

Após algumas peças elaboradas, o estudo da madeira prensada permitiu maior economia e facilidade de construção. “É interessante assinalar como a técnica da madeira prensada nos aproxima da arquitetura: a mesma possibilidade de formas novas, o mesmo empenho em reduzir seção e simplificar o sistema construtivo”, conta Niemeyer  em Móvel moderno no Brasil. Curvada, a madeira é fixada ao centro do assento, de onde saem seus dois pontos de apoio, que garantem o equilíbrio da peça. Um deles é prolongado e utilizado, também, como estrutura de apoio do encosto.

A partir desses conceitos, Niemeyer passou a produzir poltronas, mesas, cadeiras de balanço, espreguiçadeiras e marquesas, utilizando, além da madeira prensada, as palhinhas naturais, que viraram materiais característicos de seus móveis. Com essas e outras mobílias, o arquiteto equipou vários de seus projetos, como a sede do Partido Comunista Francês, em Paris. “Deve haver uma adequação do móvel e o interior, dependendo do tipo de prédio. Numa residência, por exemplo, os móveis devem acompanhar a maneira de viver do homem de hoje; eles são mais simples, menos austeros”, diz.

Marquesa (1974) e cadeira de balanço (1977), Niemeyer.

Em 1995, as peças voltaram a ser fabricadas e comercializadas.

 

Fontes:
– Revista Módulo, nº41, de 1975.

http://www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/165/made-in-oscar-e-anna-maria-niemeyer-poltrona-67570-1.asp

– http://casa.abril.com.br/materia/oscar-niemeyer-marquesa

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